Stravinsky é o responsável por tudo o que nós estamos usando em música.
George Balanchine
Ele criou musique dansante. Houve apenas três que conseguiram fazer isso:
Delibes, Tchaikovsky e Stravinsky.
Eles fizeram música para a qual o corpo dança.
Eles inventaram o chão sobre o qual a dança caminha.
George Balanchine, expoente do balé neoclássico da primeira metade do século XX, teve uma parceria de longa data com o compositor Igor Stravinsky. E, por mais que ele seja conhecido pelo escândalo da Sagração da Primavera, Stravinsky mesmo dizia que “fizeram de mim um revolucionário à minha própria revelia”.
Ele era na verdade, como o próprio coreógrafo percebeu, um compositor em forte diálogo com a tradição de composição para balé. No entanto, isso não significa retrocesso ou nostalgia: basta ouvir balés como Agon (1957) para saber que ele estava em diálogo, também, com as mais modernas tendências de criação musical de seu tempo.
O curioso é que, por mais anti-dançantes que pareçam as estéticas musicais como a dodecafônica (presente em Agon), Balanchine segue nomeando essa música como dançante. O que seria, então, uma musique dansante? Seria uma característica da própria música, de quem a ouve ou da época que a gerou?
Referências
STRAVINSKY, Igor. Poética musical em seis lições. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996, p. 20. Disponível em: https://annas-archive.org/md5/9c4b53b7f18b05b45865a36f5b076572
STRAVINSKY, Igor. In: Stravinsky & Balanchine: a journey of invention, 2002, p. 305. Disponível em: https://annas-archive.org/md5/36db65a3d53cc5ace965f32c17a787de
BALANCHINE, George. STRAVINSKY, Igor. Agon (ballet). New York City Ballet, 1960. Disponível em: https://youtu.be/QNTvHRlorQw?si=Dl-y_r2qgIa4iHPM

