-

Resenha: Encontro Música e Dança – SPCD
Assistir ao Encontro Música e Dança, promovido pela São Paulo Companhia de Dança, é um respiro em meio à pandemia. Rose Pavanelli conduziu o encontro no dia 19 de março de 2021. Ela é uma senhora pianista das aulas de balé da companhia, dona de uma vitalidade, de um espírito vibrante que a rejuvenesce. Fica claro que é essa vitalidade que ela transmite por meio da música, provendo ao piano o impulso vital sonoro que é tão necessário ao balé. Ela se dirige aos bailarinos sempre de forma leve. Sua fala não tem peso de autoridade, de quem tem razão…
-

Tempo e cumplicidade em Platô, com Claudia Palma e Armando Aurich
O tempo é inversamente cumulativo: quanto mais ele passa, mais convida a abrir mão de excessos e mais ensina a apreciar o simples. Assim, a coragem de ser simples é resultado de tempo e de experiência. Carregando 45 anos de experiência e cumplicidade em dança, os bailarinos Claudia Palma e Armando Aurich revelam camadas de tempo em Platô (2014). É um duo com ares autobiográficos que gira em torno dos próprios encontros e desencontros de seus intérpretes, seja nas idas e vindas da performance – Platô estreou em 2014 e voltou à cena em 2021 e 2022 – seja nas…
-

As linhas de força do Balé da Cidade em Adastra e Motriz
O Balé da Cidade de São Paulo retorna ao palco do Teatro Alfa trazendo diversos vetores, linhas de força de corpo, de som e de luz que se atravessam, se cruzam e se fortalecem. No repertório, a tradicional Adastra (2015) de Cayetano Soto e a recente Motriz (2022) de Cassi Abranches são meios, são veículos pelos quais a força dos bailarinos do Balé da Cidade se concretiza em cena. Adastra já é um dos clássicos do grupo, que havia estreado no palco do Alfa em 2015, ano em que o Balé havia estado lá pela última vez. Tem por motivo…
-

Gritos de natureza e caos em Ibi, de Gal Martins
Soa o terceiro sinal, o teatro apaga suas luzes de plateia, mas a cortina permanece fechada. Ouve-se – apenas ouve-se – um canto coletivo com batidas de pés descalços no chão. Conforme a cortina se abre, o canto cresce em intensidade e em velocidade, revelando uma roda ritual de envolvimento visceral que se desfaz assim que atinge seu ápice. É como se a roda explodisse, levando todos os bailarinos e bailarinas para o chão. Assim inicia-se Ibi: da natureza ao caos, coreografia de Gal Martins para a São Paulo Companhia de Dança que estreou na temporada de dança 2022 do…
-

Como o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky mudou o balé para sempre
O que seria do balé sem Peter Ilyich Tchaikovsky? Ele compôs apenas três balés, porém Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra Nozes redefiniram o que o balé pode ser e pode significar. Compostos em uma época em que a maior parte das músicas para balé não pretendiam ser muito mais do que uma animada plataforma para a dança, a narrativa e o cenário – Espanha ensolarada! Índia exótica!¹ – a partitura densamente organizada e extremamente melódica de Tchaikovsky rompeu com as convenções. Mais do que estruturar suas obras como o padrão da época de “colar de pérolas”,…
-

Moldando espaços via corpo, som e câmera em Take a Deep Breath – TAKE 1 (Jorge Garcia Cia. de Dança)
Sabemos bem que os espaços que habitamos moldam nossas atividades. Por exemplo: um restaurante nos estimula a comer, um quarto de hotel nos induz a descansar, um cinema nos predispõe a fantasiar e entrar em outros mundos. Porém pode-se, por meio da dança e seus dispositivos, traçar o caminho inverso: moldar espaços por meio de atividades cênicas. Essa proposta conduz Take a Deep Breath – TAKE 1, da Jorge Garcia Companhia de Dança, obra de 2016 que integra uma pesquisa de longa data do diretor, coreógrafo e bailarino Jorge Garcia, chamada coreocinegrafia. Trata-se de uma proposta híbrida entre a dança…
