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As linhas de força do Balé da Cidade em Adastra e Motriz
O Balé da Cidade de São Paulo retorna ao palco do Teatro Alfa trazendo diversos vetores, linhas de força de corpo, de som e de luz que se atravessam, se cruzam e se fortalecem. No repertório, a tradicional Adastra (2015) de Cayetano Soto e a recente Motriz (2022) de Cassi Abranches são meios, são veículos pelos quais a força dos bailarinos do Balé da Cidade se concretiza em cena. Adastra já é um dos clássicos do grupo, que havia estreado no palco do Alfa em 2015, ano em que o Balé havia estado lá pela última vez. Tem por motivo…
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Gritos de natureza e caos em Ibi, de Gal Martins
Soa o terceiro sinal, o teatro apaga suas luzes de plateia, mas a cortina permanece fechada. Ouve-se – apenas ouve-se – um canto coletivo com batidas de pés descalços no chão. Conforme a cortina se abre, o canto cresce em intensidade e em velocidade, revelando uma roda ritual de envolvimento visceral que se desfaz assim que atinge seu ápice. É como se a roda explodisse, levando todos os bailarinos e bailarinas para o chão. Assim inicia-se Ibi: da natureza ao caos, coreografia de Gal Martins para a São Paulo Companhia de Dança que estreou na temporada de dança 2022 do…
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Como o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky mudou o balé para sempre
O que seria do balé sem Peter Ilyich Tchaikovsky? Ele compôs apenas três balés, porém Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra Nozes redefiniram o que o balé pode ser e pode significar. Compostos em uma época em que a maior parte das músicas para balé não pretendiam ser muito mais do que uma animada plataforma para a dança, a narrativa e o cenário – Espanha ensolarada! Índia exótica!¹ – a partitura densamente organizada e extremamente melódica de Tchaikovsky rompeu com as convenções. Mais do que estruturar suas obras como o padrão da época de “colar de pérolas”,…
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Moldando espaços via corpo, som e câmera em Take a Deep Breath – TAKE 1 (Jorge Garcia Cia. de Dança)
Sabemos bem que os espaços que habitamos moldam nossas atividades. Por exemplo: um restaurante nos estimula a comer, um quarto de hotel nos induz a descansar, um cinema nos predispõe a fantasiar e entrar em outros mundos. Porém pode-se, por meio da dança e seus dispositivos, traçar o caminho inverso: moldar espaços por meio de atividades cênicas. Essa proposta conduz Take a Deep Breath – TAKE 1, da Jorge Garcia Companhia de Dança, obra de 2016 que integra uma pesquisa de longa data do diretor, coreógrafo e bailarino Jorge Garcia, chamada coreocinegrafia. Trata-se de uma proposta híbrida entre a dança…
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Os cinco princípios do novo balé, por Michel Fokine
Não formar combinações de passos pré-fabricados e estabelecidos, mas criar em cada caso uma nova forma que seja correspondente ao assunto, a forma mais expressiva possível para a representação do período e do caráter da nação representada — esta é a primeira regra do novo balé. A segunda regra é que dança e gestos miméticos não tem sentido em um balé ao menos que eles sirvam como uma expressão de sua ação dramática, e eles não devem ser usados como mero divertissement ou entretenimento, sem ter conexão com a trama do balé completo. A terceira regra é que o novo…
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Balé da Cidade de São Paulo na Semana de 22: comemorações e questionamentos
O ano é 2022, e a Semana de Arte Moderna de 1922 completa cem anos. O Theatro Municipal de São Paulo, que foi a sede da Semana, acaba de apresentar uma série de eventos comemorativos e reflexivos a respeito do modernismo nas artes. Dentre eles, o Balé da Cidade de São Paulo (BCSP) apresenta duas obras: Muyraquytã e Isso dá um Baile. Porém , frente à atual situação política do país e à instabilidade recente do próprio BCSP, fica difícil pensar em tons de comemoração. Se nas celebrações da música erudita, por exemplo, bastou reviver as Bachianas e outras peças…
