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Análise crítica: Violin Phase (1982), de Anne Teresa de Keersmaeker
Em Violin Phase (1982), Anne Teresa de Keersmaeker realiza um solo de dança contemporânea em tablado com areia clara, localizado ao centro de uma clareira. Há uma intenção de trabalhar ao máximo com o mínimo possível, seja na escolha predominante de movimentos coreográficos pendulares de braços e dos pés que arrastam pelo chão, no figurino inteiramente branco e simples e na escolha musical de um único violino. Violin Phase é uma peça homônima do compositor Steve Reich, e tanto a música quanto a dança operam com a defasagem, gerando progressivas variações por meio de mínimas diferenças. Conforme dança, Keersmaeker desenha…
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Grupo Corpo: Parabelo (Crítica da Temporada Comentada 2021)
Em temporada comentada transmitida pelo YouTube, o Grupo Corpo transmitiu a gravação completa de 2013 da obra Parabelo (1997), seguida de bate-papo ao vivo com o coreógrafo Rodrigo Pederneiras e bailarinos. Dentre as obras da companhia, Parabelo era dançada todos os anos, até que veio a pandemia de COVID-19 e a obra não foi dançada em 2020. Então, nada mais justo do que abrir a temporada com ela. Mas, se Parabelo não foi dançada isso não significa que ela não tenha sido lembrada, não tenha sido evocada. A obra se tornou ícone de brasilidade, representou o Brasil na abertura das…
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A travessia de Chopin a Jobim – Temporada SPCD 2021/1
Depois de um ano sem apresentações ao público – que mais pareceu uma década – a São Paulo Companhia de Dança retornou aos palcos do Teatro Sérgio Cardoso. Com plateia reduzida, assentos demarcados e entrada e saída conduzidas de acordo com os protocolos de segurança impostos pela pandemia de COVID-19, pudemos novamente ter o prazer de assistir os bailarinos ao vivo, sem a mediação de telas na qual ficamos imersos desde o início de 2020. É um alento poder voltar a ver gente dançando, é uma experiência muito diferente de ver celulares e computadores formando imagens de pessoas por meio…
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Natalia Makarova fala sobre musicalidade na dança
O balé clássico é, nesse sentido, mais próximo da música do que qualquer outra coisa. Na música o som é organizado harmoniosamente, e o que ele declara só pode ser descrito parcialmente em palavras. No balé clássico é o corpo que fala, pois ele é sujeito da harmonia dos passos que está executando. E ele fala para o coração em uma linguagem tão direta quanto a música. É claro, a amplitude de sentido do corpo é mais limitada – ele não pode superar completamente sua concretude -, ele pode apenas tornar a música concreta, traduzindo sua linguagem abstrata em forma…
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A harpa nos balés de Tchaikovsky
Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) foi, sem dúvida, um compositor com enorme talento para escrever música para balé. Não só com talento, mas com ousadia, pois muito do sucesso de suas composições se deve à coragem que ele teve em desafiar a forma como a música para balé vinha sendo composta em sua época. Ludwig Minkus, por exemplo, foi muito mais previsível em suas composições para o balé La Bayadère (1877), entregando resultados musicais convencionais, pouco elaborados em questão de orquestração. Isso não acontece com Tchaikovsky: sua música é elaborada e dá mais vida à dança, e por isso mesmo também…

